sábado, 31 de dezembro de 2011
Happy... New Year!!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O menino que nunca...

Não arrumei meu cabelo, como de costume, dê-me um desconto, tinha apenas cinco anos, nem mesmo via um motivo para preocupar-me com tal aparência. Fomos à casa de nossa tia, prima de minha mãe. Costumava prestar atenção mais nas tragédias que aconteciam com as crianças do que nas brincadeiras que meus primos, tão empolgados, propunham. Abstinha-me da diversão para garantir minha segurança e por isso não me retirava do lado dos meus pais. Hoje não me recordo de muitas histórias, no entanto, sei como nasceu esse menino que nunca...
Não poderíamos fazer aquilo, pelo menos era o que a professora falava, mas nunca tínhamos tentando para ver no que dava. A gente combinou de não entrar para a aula após o intervalo e ficar escondido no pátio. O sinal tocou e fomos para o cantinho, todos rindo nervosamente, de repente eu avistei a professora atravessando a quadra e se dirigindo para a entrada do bloco onde ficava nossa sala, um nervosismo se apoderou de mim, e sem dizer uma palavra corri para a multidão que retornava às aulas. Aos dez anos era uma aventura e tanto fugir das inspetoras bravas, meus amigos não foram descobertos e comentam sempre como foi legal fazer aquilo. Eles copiaram as lições do meu caderno, e a lição que ficou para mim foi como cresceu esse menino que nunca...
Nós diríamos para nossas mães que dormiríamos um na casa do outro, para fazer um trabalho de ciências e jogar videogame. Na verdade, naquele fim de semana iria acontecer a festa de uma das meninas da turma do terceiro ano, e nós havíamos sido convidados, porém nossos pais não nos deixaram ir. Mas era uma festa, e da menina do terceiro ano, aos 15 anos recusar esse convite seria uma idiotice. Próximo da hora de sair meu pai perguntou qual era o telefone da casa onde eu posaria para ele me liga e combinar como me buscar, eu disse para ele que não estava me sentindo muito bem, que faria meu trabalho sozinho e deixava o videogame para outro dia. Assim continuou crescendo o garoto que nunca...
Cansei-me do trabalho, e para variar o ônibus estava lotado. Cheguei cedo e fui fazer um lanche conversando com uma amiga, e vi você passar, mais uma vez te observei silenciosamente. Reparei no seu casaco quadriculado, no seu all star branco, nos seus cabelos amarrados. Quando estava a retornar você sorriu e disse oi, eu respondi com um olá, e comentei sua beleza para alguém. Depois sempre dava um jeito de te ter no meu campo de visão, até me desconcentrava. Aos vinte anos não saber como agir na presença do sexo oposto é um pouco demais. A hora passou e fomos embora, e tudo que eu digo é no máximo um tchau e até amanhã. E passo mais uma noite idealizando o nada que eu construo. Assim se segue a vida do menino que nunca...
domingo, 1 de maio de 2011
Eu quis...

Queria eu gritar, por pra fora, me liberar, me libertar, me permitir.
Eu queria mesmo é me concretizar, me ser de verdade, me ser real.
Eu queria ter amigos por prazer, não por solidão.
Queria é esbanjar do que nunca vou ter, sem me preocupar com o que tenho.
Queria é ter sucesso em tudo, independente, só sucesso.
Mas o que eu queria mesmo é ter todas as mulheres que me derem na telha, sem me preocupar com as expectativas.
Na verdade, queria não precisar me preocupar com a futilidade da mente humana, que só olha pro valor, monetário mesmo, que a alma dos outros tem.
Queria eu reinar sobre um reino, um pouco maior que meu quarto.
Queria abranger além da tangente, queria invadir o território proibido.
Queria, mesmo, de verdade, é sentir, sem ter que fazer de conta, pra não ser chamado insensível.
Sem frescuras, eu queria é chorar, pois meu não chorar é dolorido, preferia ter lágrimas constantes à falta de reação.
Queria é ter o controle, além do remoto.
Queria tocar os outros, não mais ser ignorado, tanto considerado quanto o centro das desatenções.
Queria é chegar na tua cara e te dizer o impacto invisível que você tem na minha vida, e não apenas gírias da moda e perguntar sobre a semana.
Queria é não viver nessa selva de coelhos fofinhos e selvagens.
Querer por querer eu não quero, mas se não assim, não quero é nada.
Queria querer não me reduzir.
Queria é não me anular nos meus preconceitos.
Queria saber se existe certo e errado, num mundo em que fazer direito é andar na esquerda.
Queria viver, já que morri todo dia me negando o querer.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
tragicidades...

A vida foi mais uma vez banalizada
A dor lacerante desse dia
domingo, 13 de março de 2011
Escuro.

Eu não uso drogas, não bebo, não sou um viciado em sexo, nunca tive crises depressivas, nunca tentei me matar, nunca tomei remédios para dormir, não trato a vida com indiferença, não sorrio por sorrir, não choro nunca.
Meu corpo parece ser uns cinco anos mais velho do que a idade real, tenho olheiras, insônia, poucos amigos, poucos bens, muitas ideias, muitos livros, tenho um amor, algumas paixões, muita indecisão, algumas indagações, tenho um celular velho, uma flor ao lado da minha cama, tenho um perfume e uma alma.
Escuto rock, por que tem dias que só o rock resolve, escuto MPB, pra poder apreciar, escuto sertanejo pra dançar juntinho, e escuto pagode por falta de opção. Sou eclético de forma justa, e às vezes tão justa que não tem espaço para gostar de mais nada.
Tenho evidências que desfazem muitos clichês, não sou falso, mas não gosto de assustar ninguém com a escuridão radiante que mora em mim.
Nunca pensei em morrer, mas nunca consegui me visualizar daqui a 20 anos, é uma duvidosa certeza de que esse tempo não existe. Como diria o poeta, na verdade não há.
Protejo-me de tudo e de todos, e sempre acabo me ferindo sozinho. Tenho a melancolia de um artista livre dentro de mim. A arte me diz tudo que não preciso saber, mas é tudo que me ajuda a viver. Eu danço sobre as palavras, como se tivessem ritmos, como se fossem meu primeiro idioma.
Pergunto-me, então, pra que o corpo quando o que uso não pesa? , pra que o corpo se a realidade não está nele? , por que do corpo se nem mesmo a dor está nele?
Minha incoerente conclusão concluiu que o corpo é o canal para a alma viver, mesmo tão esquálido. A força da alma precisa se combinar a fraqueza da carne.
Por mais poético, clichê e manjado que seja dizer que a vida é uma arte, eu sempre digo, basta criar sempre... " e se não é pela arte, porque a alma pesando o corpo?"
quarta-feira, 9 de março de 2011
Lágrimas da Nuvem

Seis e meia da manhã, anunciava o despertador, Lucas acordou com vontade de jogá-lo na parede. Ele se levantou e foi tomar banho, como sempre, a água não aqueceu o suficiente, terminou de aprontar-se, pegou sua mochila e saiu para pegar o ônibus. Junior, seu cachorro, estava com a pata suja, e ele foi ao trabalho com uma marca de barro em sua calça.
Tempo nublado, frio, e a partir daquele momento, chuvoso. Ele notou que seu guarda-chuva estava quebrado. O ônibus lotado o fez apertar sua mochila e perceber que esquecera sua pasta com as tarefas do dia.
Após ter corrido por quatro quadras, Lucas entrou na escola atrasado e seguiu direto para a sala. O barulho o deixou sem ação, então simplesmente começou sua aula passando textos no quadro. Um dos alunos notou a mancha em sua calça e comentou em alta voz para que todos percebessem. Como um professor inexperiente, apenas fingiu que nada estava acontecendo. Logo trocou de turma, e os estudantes comemoraram o esquecimento do professor e a prova adiada.
Ao fim da manhã Lucas enfrentou outro ônibus. Chegando em casa ligou o fogão para esquentar o que sobrou da janta na noite passada, o telefone tocou para mais uma cobrança, se distraiu e acabou deixando o único bife queimar. "Ainda bem que hoje é dia de pagamento", pensou.
Esperou cerca de uma hora na fila do banco e recebeu apenas metade do que precisava. Foi um mês difícil, teve muitas faltas no trabalho e conseqüentemente muitos descontos salariais.
O tempo começou a melhorar, a chuva cessou. Ele entrou em contato com a sogra, pois as crianças estavam passando uma temporada na casa dela, e já era hora de buscá-las para realizarem juntos a grande tarefa. O pai comprou um bolo, e com todo cuidado tomou outro ônibus, graças a Deus o bolo permaneceu intacto. As crianças ficaram felizes por vê-lo, elas já estavam prontas aguardando por sua chegada, os meninos passaram gel no cabelo, e a menina usava seu melhor vestido. Lucas chamou um táxi e partiram.
O hospital estava calmo naquele dia. Rapidamente prepararam o bolo, acenderam as velas e entraram no quarto cantando parabéns baixinho para a mãe que os aguardava confiante e fraca. Naquele momento todas as suas forças se uniram para dar um sorriso. As crianças deram seus desenhos para a aniversariante com lágrimas nos olhos, e o presente era um belo lenço para cobrir-lhe a falta de cabelos. Lucas beijou sua esposa, as crianças a abraçaram.
O horário de visitas terminou e Lucas gastou seu último trocado no táxi para as crianças voltarem para a casa da avó.
Lucas foi embora caminhando, e por sinal, uma longa caminhada de reflexão, satisfação, e a partir daquele momento, chuva.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Amor à vista prévia.

Assim, lentamente começou a pensar. Seus olhos ficaram cravados nela. Seu corpo se movimentava, mas seus olhos estacionaram na beleza que ali se encontrava apenas observando o lugar.
Pensou em como sua beleza era radiante, em como as maças de sua face eram bem moldadas, e que somadas aos seus delicados lábios faziam seu sorriso parecer uma obra de arte.
Talvez isso não signifique nada – pensara, mas com certeza era apenas um modo para tentar manter o controle. Isso ficou evidente quando passou a notar seus cabelos lisos, castanhos, que no momento estavam presos, mas conseguia imaginá-los ao vento.
Foram os quinze minutos mais sentidos, impactantes e encantadores que já tivera. Nesse momento sabia que ela representava alguém especial, alguém como sua primeira paixão.
Tentou frear seus pensamentos, pois nem ao menos sabia o nome desta que o hipnotizara. Concluiu por si só no segundo seguinte: “A questão não é se temos afinidade ou não, a questão é que dou a ela um espaço para ser alguém em minha vida.”
domingo, 31 de outubro de 2010
Eu existo...
Gostaria de postar um trecho da música “Sentado à beira do caminho” de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Por sinal uma grande poesia que retrata uma verdade. Há momentos na vida em que nada mais parece fazer sentido. E tudo o que nos perguntamos é “tá! E pra que tudo isso?”. Afinal, qual é a finalidade de termos tantas obrigações e deveres. Bem, ainda não encontrei respostas, mas eu EXISTO, e preciso VIVER essa existência, apesar de tudo que pode nos abater, precisamos fazer tudo isso valer a pena. Aqui vai uma palavra de encorajamento, para mim também, nunca panse que as coisas poderiam ser melhores ou iguais sem você. A sua existência pode ter alterado a história do mundo, mesmo não percebendo isso. Entre o saber qual é o sentido e não saber, podemos dar esse sentido.
sábado, 2 de outubro de 2010
Quero simplesmente viver...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
se fosse uma carta...

Passei horas no quarto, olhando para o teto, tudo permaneceu escuro.
Desliguei o som, silenciei meu eu. Precisava ouvir-te, precisava encontrar-te.
Procurei respostas. Procurei você. Procurei você dentro de mim.
Incansável eterna procura.
Não te encontrei, se queres saber. Apenas percebi falta dos meus pedaços que levaste de mim.
A parte de mim que levaste não foi a capacidade de amar, não foi meu coração. O que levaste foi minha razão, minha racionalidade.
Não posso agora criar qualquer pensamento, tu és minha mente. Te vejo, te ouço, sinto teu toque e teu cheiro. Fez-me escravo. Talvez nem saiba, mas é por isso que escrevo isso.
Ao caminhar na rua, olhar vitrines, ler, automaticamente relaciono a você.
Não há forma de mudar. Sem querer te odeio por isso. Sua falta de importância não me corresponde, e me roubas ainda mais.
Odeio-te por isso. Condeno-me por isso.
Diga-me, imploro, porque me deixaste?
Tudo o que confessei só prova que te amei, além de todo meu coração, de toda minha razão. Entreguei-me. Entreguei-me. Desfiz-me. Dilui-me em você.
- Queres saber?
Teu amor me anulou. Entregaste e não pude te conquistar. Senti-me desmerecer. Nada, nada que eu fazia superava o teu poder de amar. A tua entrega se chocou à minha falta de coragem.
“Evitei que seu brilho ofuscasse o meu, mas amei você...pode agradecer”.
______________
A última frase do texto é um trecho da música ''Pode Agradecer'' de Jay Vaquer.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
minha lua.

À noite, no terraço, assento-me sobre uma velha caixa. Contemplo nada mais nada menos que uma rainha. A lua estava surpreendente, conversei com ela.
O vento passeava e esbarrava em meu rosto, que já estava seco, pois o frio era intenso. A luz tênue aterrorizava a cidade, resumida em pontos de luz. A chuva ameaçava cair.
Esse momento me reservou a solidão. A saudade nunca suprida. Mas o vento trouxe seu cheiro, como o de flores espalhando-se ao meu redor.
Sinto agora suas mãos acariciando minha face, você belisca meu pescoço, eu rio. Sentir seu cafuné é inconfundível. Minha amada. Minha amada imortal. Conhece-me como ninguém.
Você se abaixa e repousa as mãos sobre minhas pernas. Está de frente para mim agora. Seus olhos estão mais negros que o normal, e sua pele lindamente branca. Seu peito eleva-se vagarosamente com um respirar pesado. Vejo teus cabelos de breu dançar ao vento.
Você está bem? - eu pergunto. Você olha ao redor. Eu sabia que não teria resposta, mas precisava arriscar. Suas mãos estão gelando minhas pernas. Sinto calafrios. O silêncio é a reposta que ouço.
Comprimo meu corpo para aliviar o frio. A chuva cai. Meu rosto lava-se. Ela olha firmemente meus olhos. E entendo o que quer dizer. Uma lágrima escorre. Gentilmente toca minha face para secar a lágrima que se confunde com a chuva. Logo, seu corpo desvanece. Sua imagem se perde ao vento. Sua memória fica em minha mente. Seu amor permanece vivo em mim.
João Lucas Cruz Castanho
segunda-feira, 21 de junho de 2010
"Horizonte...

Ponho-me a refletir. Minha cabeça dói, tiro os óculos e deposito-os sobre a escrivaninha. Intensifico a luz da luminária. Quando olho para a mesa observo que meus cabelos caem sobre as páginas amareladas dos livros abertos.
Sinto meu estômago apertando, porém, sinto-me sucumbido o bastante para ingerir qualquer coisa.
Caio em minha mente, vulnerável aos meus próprios ataques, como vórtices, ou então, o mais matreiro pensamento, de imensurável candura, dirigindo-me a terno devaneio. Apetece-me galgar para o engodo da perfídia, provocando um inebriante lacerar de verdades. Perniciosos são os pensamentos agora, e no dissipar de um momento desvanece a fantasia, e volto a compor-me por quem não sou. De fato, nada do que aspiro é inócuo, é apenas ofensivo a mim próprio negar quem sempre sustentei.
Meu ego salta de minhas entranhas, expondo uma vil reputação. Jamais pútrida, mas de juízos mentirosos. Direitos que regem a lei vã que criei para respeitar, não apenas impedindo com que transponham as barreiras de segurança que instaurei para não invadirem meu espaço, mas me impedindo de estar neste.
Resguardado em máscaras, ora imaculadas, ora infamadas. Ardendo em lágrimas sanguinolentas, como açoites em meus olhos. Tornando-me cego de minha visão egocêntrica.
Reduzo-me a pó, esquálido ser a transpor sua armadura. Ressentido por não “viver” a prévia da morte.
sábado, 12 de junho de 2010
Não se chama nada.

Quanto a mim, preferia não estar na solidão, mas se é isso que a companhia me reserva, não tem nada a fazer. Isso não foi minha culpa, e para piorar não posso expor o que quero, devo apenas pensar, pois falar pode ser ofensivo a mim, me sentiria menosprezado se tomasse a ação de trocar uma só palavra com ela. Não eu não vou conversar. Sou humano. Sou assim, se não me quer como sou, não me tenha. Mas... Mas minha mente grita, ou chora, resmunga sem forças. Meus lençóis já não cheiram bem, e meu travesseiro está amassado, minhas roupas me deixam nu, e as paredes do meu quarto estão cinza. A janela bate sozinha, sem vento. A lâmpada está em pó. A luz tênue pouco me ilumina, mas é isso que quero.
terça-feira, 11 de maio de 2010
"Com Amor...
Geralmente começa-se pelo prólogo, mas iniciando a escrita dizendo o nome dá-nos a ideia de estar a narrar uma história; iniciar dizendo ''querida Beth'', cheira-nos a uma ideia de carta e de sinais de despedimento. Não é o caso, não é esse nosso objetivo. Este é um sinal escrito de saudade expressado neste conjunto de palavras e nesta imensidão de emoções. Esta longa caminhada não pode ter sido corrompida pelo teu adeus breve.Infalivelmente os sorrisos, fizeram o seu reflexo.
Assistimos ao funeral, com nossos pêsames, confessamos. Sentíamos na obrigação de partilhar a dor com quem, como nós, te amam.
Proveniente, a morte chegou a ti, sem avisar. Bateu à tua porta enquanto, em mais uma noite, recebia visitas. Despedia-se. Passadas algumas horas, informam-nos. O nosso eu não quer acreditar.
Semelhante a uma rosa arrancada de um jardim, foi tirada daqui. Acreditamos que esteja com o jardineiro do céu. Recordamos você com um sorriso leve nos lábios e no coração, já que sabemos que é dessa mesma forma que te encontraríamos.
O lugar que ocupava, ficou vazio e nunca ninguém o completará. Motivo esse descoberto numa razão simples: você, afinal, nunca foi completamente embora; o seu cheiro perdura, a sua presença perdura, os sonhos, os gostos... Perduram no coração, nas memórias e o orgulho por um dia, termos vivido com você.
TEMOS ORGULHO DE VOCÊ.
ATÉ LOGO, SEUS AMIGOS.
(Elizabeth 1992-2010)
sábado, 8 de maio de 2010
Descanse...
Um dia de sol raiava, os pássaros cantavam alegremente, o mato chiava com o dançar dos ventos e se dava o despertar. As crianças levantavam-se animadas para trilhar novamente o caminho da roça, literalmente falando.
- Menina, eu já falei para você não fazer mais isso. Imperava o sotaque português de D. Isaura apontando para uma fresca melancia aberta, cuja carne fora comida a colheradas debaixo de uma agradável árvore. Ali pensava sobre o presente que poderia ganhar no natal.
Como sempre em dia de véspera de Natal, toda a família arranja os preparativos. Velas, toalhas, talheres, mesas bem arrumadas. Na sala os presentes, a árvore de Natal e a expectativa. Por costume abriam-se os presentes apenas antes do almoço do dia 25. Mas como toda criança curiosa, foi ela ver se encontrava uma dica sobre qual seria seu presente. Muitos amontoados estavam lá, pois eram em muitos irmãos.
Era uma menina dedicada aos estudos. Na escola que havia na fazenda sempre dava o máximo de atenção. E como boa aluna, gostava muito de ler. E justamente, havia um presente em forma de livro. Isso a chamou muito a atenção. Cruzou os dedos e pediu para que esse fosse o seu. Saiu correndo, juntando-se aos outros, disfarçando a espionagem proibida.
Deu-se a noite de Natal, todos oraram juntos antes de se alimentarem. Ansiosos para receber logo seus presentes. Já tarde da noite, após, como de costume, cantar os parabéns para Jesus, as crianças dirigiram-se para suas camas. Mal podiam esperar para abrir o pacote e se deliciar com a surpresa.
A noite até pareceu alongar-se, cochichavam entre si sobre os presentes. O nascer do sol fora leve naquele dia, por isso não despertara a todos logo cedo. Então perto das 8h alguns foram acordando e acordando aos outros. Correram unidos para a sala, logo os pais anunciavam o nome e entregavam o presente. Lourdes estava novamente com os dedos cruzados. Quando o presente da vez era o venerado pacote em forma de livro ela apertou os olhos, e para sua satisfação ouviu seu nome. Levantou-se alegremente e correu para pega-lo.
Um belo exemplar. “Alice no Paiz das Maravilhas” Lewis Carroll. Seus olhos brilhavam, e não via a hora de poder lê-lo. Passou-se o dia e no seguinte, a menina se preparava para ler. Pegou o livro, uma colher, para o caso de encontrar uma melancia pelo caminho e muita disposição.
Sentou-se sob as densas folhagens de uma bela árvore, no alto de um morro, perto de casa, de onde podia ver o lago com gansos e marrecos, as vacas pastando, a grande plantação de café e o sol, sempre sorrindo.
Abriu-se a primeira página, e viu ali a seguinte dedicatória: “ Este livro pertence a Maria de Lourdes Barradas. Presente do Papai Noel 25/12/1940.”
Alice a acompanhou por todos os dias de suas férias escolares. Intercalando com o trabalho que auxiliava. Logo no início do ano letivo, a professora pediu para que os alunos contassem como foram suas férias. Alegremente Lourdes escreveu sobre sua companheira Alice.
Logo, em meio a Segunda Guerra Mundial, o céu ora azul, agora se apresentava cinza, mesmo longe do conflito, podia-se ver a evidência. Assustou-se ao tentar, mas não enxergar o sorriso do sol.
Bem, o tempo passou, Lourdes e Alice continuaram juntas. A infância passou, as melancias passaram, os Natais se passaram, os presentes se foram, mas Alice está agora a fazer companhia a outros. E Lourdes, se formou, e como uma boa aluna, deixou a escola.
João Lucas Cruz Castanho
quarta-feira, 5 de maio de 2010
"Horizonte...
Ponho-me a refletir. Minha cabeça dói, tiro os óculos e deposito-os sobre a escrivaninha. Intensifico a luz da luminária. Quando olho para a mesa observo que meus cabelos caem sobre as páginas amareladas dos livros abertos.
Sinto meu estômago apertando, porém, sinto-me sucumbido o bastante para ingerir qualquer coisa.
Caio em minha mente, vulnerável aos meus próprios ataques, como vórtices, ou então, o mais matreiro pensamento, de imensurável candura, dirigindo-me a terno devaneio, em elípticas reverberações de minha alma. Apetece-me galgar para o engodo da perfídia, provocando um inebriante lacerar de verdades. Perniciosos são os pensamentos agora, e no dissipar de um momento desvanece a fantasia, e volto a compor-me por que não sou. De fato, nada do que aspiro é inócuo, é apenas ofensivo a mim próprio negar quem sempre sustentei.
Meu ego salta de minhas entranhas, expondo uma vil reputação. Jamais pútrida, mas de juízos mentirosos. Direitos que regem a lei vã que criei para respeitar, não apenas impedindo com que transponham as barreiras de segurança que instaurei para não invadirem meu espaço, mas me impedindo de estar neste.
Resguardado em máscaras, ora imaculadas, ora infamadas. Ardendo em lágrimas sanguinolentas, como açoites em meus olhos. Tornando-me cego de minha visão egocêntrica.
Reduzo-me a pó, esquálido ser a transpor sua armadura. Ressentido por não “viver” a prévia da morte.
João Lucas Cruz Castanho
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Não se chama nada.

Quanto a mim, preferia não estar na solidão, mas se é isso que a companhia me reserva, não tem nada a fazer. Isso não foi minha culpa, e para piorar não posso expor o que quero, devo apenas pensar, pois falar pode ser ofensivo a mim, me sentiria menosprezado se tomasse a ação de trocar uma só palavra com ela. Não eu não vou conversar. Sou humano. Sou assim, se não me quer como sou, não me tenha. Mas... Mas minha mente grita, ou chora, resmunga sem forças. Meus lençóis já não cheiram bem, e meu travesseiro está amassado, minhas roupas me deixam nu, e as paredes do meu quarto estão cinza. A janela bate sozinha, sem vento. A lâmpada está em pó. A luz tênue pouco me ilumina, mas é isso que quero.
A dor corrói minhas entranhas, eu não sinto minha alma. Meu coração empedrou. Eu não agüento mais, e você não pode mais voltar. Foi minha culpa. Meus olhos secaram. Mas nada resolve. Tenho medo de ir para o lugar onde você está.
Eu me nego a falar, mas agora consigo te ver em minha frente, com afeição brava. Ah, como eu amo te ver assim. Eu vou falar. Dói ter que te tirar de mim, é o melhor que eu tenho a fazer, mas é o pior de se fazer.
Estou deitado nessa cama há uma semana, tentando te tirar de mim, mas tudo me lembra você, mas é pior, pois nada me faz te sentir.
Os lençóis não me lembram a maciez da sua pele. O edredom me resfria, nada como o teu calor. Os lírios que estão ao lado de minha cama, os quais eu havia comprado para você, nunca me lembraram seu perfume. Lembro-me das paredes que você decorou para mim, ficou lindo, mas elas desbotaram quando você se foi. Nada que eu visto me faz sentir coberto. Quando você abria as janelas, o sol clareava ainda mais seus olhos, agora elas estão eternamente trancadas.
O que? Você é realmente linda. Não consigo aceitar seu perdão. Depois de tudo você me diz, olhando para mim, falando que não é minha culpa. [Silêncio]. Obrigado por me fazer ouvir sua doce voz. Mas... Se eu não tivesse pegado outro caminho, será que você ainda estaria aqui? Desculpe-me, eu estava alterado. E você não tinha me falado nada de mais, afinal.
Como eu faço para me redimir? Não. É só você o meu amor. Não posso amar outra mulher. É só você. Não sou mais capaz de sentir amor.
“Você nunca deixará de amar. O Amor é a essência da vida, e nem na morte se acaba.”.
Com estas palavras eles se despediram. E a seguir o amor seguiu-se, enquanto a vida partia.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Detalhes.
Boa leitura!!
Comentem!
Lucas passara um tempo atordoado e não percebia como as coisas se desenvolviam ao seu redor. Seus filhos, o cachorro, a padaria vizinha, o cobrador do ônibus, a grama entre os paralelepípedos da calçada, o outdoor, tudo permanecia em freqüente fluxo, mas era como se Lucas estivesse vivendo só e sem um relógio que o fizesse perceber o tempo passar. Em uma manhã, cujo sol forçosamente empurrava as nuvens para que pudesse ser percebido, o jovem amante percebeu as flores do jardim, que há tempo eram pequenos brotos, agora se tornaram belas rosas, completa por detalhes, cada espinho, cada frizz, cada tom de vermelho, cada pétala, naturalmente rica em personalidade, imponentes e delicadas, parecidas com Ela- pensou Lucas quando o vento soprou e o fez sentir o perfume suave vindo do interior daquelas criações de Sara. Lucas admirava, agora, a estas belezas naturais como se estivessem brotado em um piscar de olhos, como no cair de uma gota, como no amanhecer de um dia. Esta situação o fez perceber o quanto amava a sua esposa, e que em igual proporção sentia imensas saudades dela.
É – disse sorrindo – uma flor. Olhando para ela, Lucas podia visualizar o sorriso de Sara ao olhar para as crianças, ou então o olhar tímido de quando Lucas a olhava nos olhos, como dizendo que era linda. Uma lágrima escorreu pela face do admirador. Uma pétala caiu ao chão, isso o fez perceber a força de algo tão delicado, lutando contra animais, gravidade, vento entre tantos outros fatores que querem fazer com que o caule se dobre. “ Nós terminamos, admirando confusos, a perfeição.”
sábado, 20 de março de 2010
Metamorfose Induzida
Primeiramente desejo um ótimo outono!! E como hoje é o dia do Contador de Histórias, postarei minha primeira narrativa fantástica. Espero que gostem! Boa Leitura!
Quando, certa manhã, Gregório despertou, depois de um sonho tranqüilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto. Achava-se deitado sobre a dura carapaça de suas costas, e, ao erguer um pouco a cabeça, viu seu ventre escuro e suas inúmeras pernas.
Com dificuldade, levantou-se, vestiu o paletó, caprichou no nó da gravata e pegou sua pasta, antes de sair de casa olhou pela janela para ver se era apenas ele o estranho. Contemplou então apenas pessoas comuns. Não sabia como encarar a situação, então decidiu conferir como as coisas estavam pelo prédio, colocou um grande casaco e saiu de casa. Ao passar pelo corredor assustou-se quando pingou sobre ele um líquido, ao olhar para cima avisto inúmeros casulos, e sobre ele alguém estava se libertando, podia ver as asas coloridas saindo do casulo e partir em vôo.
A “mulher-borboleta”, ao cair em si que estava transformada, pousou bruscamente na escadaria próxima a Gregório, e pôs-se a chorar, desesperada. Ele ficou receoso em assustá-la, mas na verdade serviria como consolo. Ele e Amélia conversaram e decidiram descobrir o que estava ocorrendo, antes que isso chamasse a atenção da mídia.
Saíram procurando por outros que pudessem estar diferentes. Andaram por entre os blocos e em cada bloco, e todos já estavam transformados. Gregório indagara-se do porque motivo de justamente o condomínio Pedra Esmeralda estar passando por isso. Amélia orientava para que ninguém saísse de casa. Gregório buscava na internet por fontes que pudessem ajudá-los nas investigações. Encontrou um artigo do Dr. Drecker, explanando a cerca do organismo dos insetos, e comparava-os com os dos seres humanos.
Gregório era médico, especialista em genética, e nesta manhã teria uma reunião, na qual conversaria com outros médicos sobre mutação e mutação induzida. Ele era o presidente do conselho de medicina genética, e no momento em que lera o nome “Dr. Drecker”, lembrou-se do colega de faculdade que não fora aprovado para participar do conselho, que alimentava uma doentia inveja pelo ex melhor amigo.
Uma substância chamada dilamidotina, por certo, pensara Gregório, fora posta no encanamento do condomínio, ele precisava encontrar a fonte para tentar estudar um antídoto.
Amélia, como podia voar, saiu com todo cuidado para não ser vista, a procura da fonte da substância. Voltou alguns minutos depois com um tudo de aço que estava conectado à rua e ao encanamento do condomínio. Imediatamente foram ao laboratório que havia no apartamento de Gregório e trabalharam para manipular o antídoto, enquanto isso a borboleta interfonava para todos os moradores, pedindo para que se dirigissem à piscina coberta.
O médico-besouro corria para terminar logo, e nesse momento começou a ouvir o som de sirenes e helicópteros, ele sabia quem havia denunciado, então correu contra o tempo, para que nenhuma suspeita pudesse ser confirmada.
Com o antídoto em mãos rapidamente foi até a piscina analisando o prédio, de repente se surpreendeu ao ver a seguinte descrição em um automóvel “FUMACÊ”, desesperado correu ainda mais e desde já lamentava por qualquer perda. O efeito do antídoto era muito forte, e poderia ser fatal para os idosos, mas não tinha como mudar isso agora. Chegando a piscina, despejou o conteúdo na tubulação que a alimentava, e auxiliou as pessoas a mergulharem na água, e instantaneamente voltavam ao normal. Os idosos foram levados para as casas e todos lamentaram o mal esperado.
Após tudo voltar ao normal, Gregório e Amélia se encontraram novamente, desta vez para tratar de assuntos pessoais, e riram quando lembraram-se do médico-besouro. E quanto ao Dr. Drecker...não tomaram providência alguma, apenas o deixaram aprender, com seu próprio “feitiço”.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
As Lágrimas da Nuvem

Junior, seu cachorro, estava com a pata suja, e ele foi ao trabalho com uma marca de barro em sua calça. Tempo nublado, frio, e a partir daquele momento, chuvoso, o que o fez perceber que seu guarda-chuva de emergência estava quebrado.
O ônibus lotado o faz apertar a mochila e lembrar-se de que esquecera sua pasta com as tarefas do dia.
Após correr por quatro quadras, Lucas entra na escola atrasado e vai à sala. O barulho o deixa sem ação, então simplesmente começa sua aula passando textos no quadro.
Um dos alunos nota a mancha na sua calça e comenta alto para que todos a percebessem. Como um professor inexperiente ele fica sem ação e finge que nada está acontecendo. Troca de turma, e os alunos comemoram o esquecimento do professor, e a prova adiada.
Chega ao fim da manhã, Lucas enfrenta outro ônibus. Chegando em casa, liga o fogão e esquenta o que sobrou da janta na noite passada, o telefone toca para uma cobrança, ele se distrai e deixa o único bife queimar, ainda bem que hoje é dia de pagamento – pensou ele.
O relógio marca 14 horas, e o jovem guerreiro encara mais um bico. Passear com os cachorros da vizinhança era uma tarefa relaxante, mas enlouquecedora em dias de chuva.
Lucas vai ao banco para retirar o salário. Ele esperou cerca de uma hora na fila e recebeu apenas metade do que precisava. Havia sido um mês muito difícil, teve muitas faltas no trabalho e conseqüentemente muitos descontos salariais.
O tempo começou a melhorar, a chuva cessou. Ele entrou em contato com a sogra, as crianças haviam passado a noite lá,pois o carro estragou. Já era hora de buscá-las para realizarem juntos a grande tarefa.
O pai comprou um bolo, e com todo cuidado tomou outro ônibus, graças a Deus o bolo permaneceu intacto. As crianças ficaram eufóricas e alegres em vê-lo, elas já estavam prontas esperando por sua chegada, os meninos passaram gel no cabelo e a menina estava com seu melhor vestido. Lucas chamou um táxi, e partiram para a grande tarefa.
O hospital estava calmo naquele dia. Logo Prepararam o bolo, acenderam a vela e entraram no quarto cantando parabéns baixinho para a mãe que os aguardava confiante e fraca. Naquele momento todas as suas forças se uniram para dar um sorriso. As crianças leram suas cartas para a aniversariante, e o presente foi um belo lenço para cobrir-lhe a falta de cabelos. Lucas deu um beijo com gosto de confiança em sua esposa, e seus filhos a abraçaram. O horário de visitas terminara e então Lucas gastou seu último dinheiro com o táxi para as crianças voltarem à casa da avó.
Lucas foi embora caminhando, e por sinal uma longa caminhada de reflexão, satisfação, tristeza, e a partir daquele momento chuva.
(João Lucas Cruz Castanho)

